A Educação e a Diversidade
José Ricardo Nascimento - 04 February 2013

O PEPE, além de manter os objetivos comuns de todo projeto pedagógico de educação infantil ele adota outros, pois está fundamentado na fé cristã e leva em conta a situação social e educacional da criança necessitada.

Qual é a educação apropriada numa sociedade marcada pela pluralização e pelo individualismo de estilos de vida, e por múltiplas relações intencionais e interculturais?

Atualmente o PEPE está trabalhando em mais de 20 países e alcançando vários grupos étnicos, então, a questão sobre uma educação global é imperativa. Qual a educação apropriada em uma sociedade marcada pela globalização? O mundo nem tem mais fronteiras, e em todos os casos o contato com o outro é quase inevitável e, com línguas e costumes diferentes daquela que foi aprendida na família e na escola?

Em 1990, a Declaração Mundial da Educação Para Todos, na Tailândia, identificou a qualidade como a condição para alcançar os objetivos da educação assegurando o desenvolvimento cognitivo e efetivo de forma que eles possam adquirir os valores e atitudes associadas a uma cidadania responsável.

A pertinência da educação foi inspirada pelo reconhecimento da educação de modo que os programas importados ou herdados normalmente eram considerados, como insuficientemente sensíveis ao contexto local as características socioculturais dos aprendizes. Então, é necessária uma definição local do conteúdo dos programas escolares, com uma participação direta dos aprendizes na escolha das próprias estratégias educativas.

A diversidade cultural pode ser um poderoso meio para garantir a pertinência contextual dos métodos educativos e ela nos lembra que a educação nunca é um processo neutro.

O objetivo deve ser então o da consciência da diversidade cultural, de acolher favoravelmente, e assim ajudar os aprendizes a desenvolver suas capacidades, que têm elas mesmas suas raízes culturais.

Os programas escolares devem responder as necessidades dos aprendizes no contexto da sua vida.

Porque afastar-se pode acarretar um fracasso escolar, em particular no meio dos alunos sem condição favorável, que consideram que a escola está desconectada da sua própria experiência e de suas preocupações.

Um estudo realizado por Michel Pagé identificou seis correntes de ideias diferentes que serão subjacentes a estas iniciativas de levar em conta o pluralismo étnico cultural na educação.

  1. Corrente Compensadora - Assegurar as melhores chances do êxito escolar no meio dos alunos em minoria que constituem uma clientela colocando em risco razões linguísticas e socioeconômicas.
  2. Corrente do Conhecimento das Culturas - Desenvolver relações harmoniosas entre os membros de grupos étnicos distintos.
  3. Corrente de etnocentrismo - Reconstruir o saber constituído pela ciência e cultura para destruir os estereótipos da supremacia dos “brancos” (estrangeiros), transformar o currículo para que a educação veicule um conhecimento do mundo mais justo e mais verdadeiro que aquela que foi elaborada na supremacia do homem branco ocidental.
  4. Corrente Antirracista - Favorecer uma educação reflexiva sobre a discriminação nas instituições e na sociedade.
  5. Corrente da Educação Cívica - Promover uma educação prática aos direitos humanos e aos valores democráticos.
  6. Corrente da Cooperação - Promover a cooperação na educação dos grupos escolares heterogênicos centrada sobre a igualdade de estatutos (Pagé – 1993.p. 11-12).

Métodos e Conteúdos Educativos: A adoção em 2006 da Comissão da Renascença Cultural Africana pelos Estados membros da União Africana expressa que é URGENTE edificar sistemas educativos que integrem os valores africanos e os valores universais. A fim de assegurar de uma só vez a firmeza da juventude na cultura africana e de abrir discussões fecundas sobre outras civilizações e de mobilizar as forças sociais na perspectiva de um desenvolvimento endógeno durável aberto para todo mundo.

A sensibilidade na diversidade cultural nos encoraja a refletir sobre o conteúdo e sobre os métodos dos sistemas educativos.

A diversidade de religiões dá a alguns responsáveis da educação na África um álibi sério de proibir o ensino religioso nas escolas.

Sem negar que a diversidade de religiões seja um sério e verdadeiro problema, então, será que aproveitando esta realidade é necessário excluir simplesmente o religioso das escolas?

Desde algumas décadas, nós estamos definitivamente entrando na era da mundialização.

As novas tecnologias de comunicação, a livre troca econômica e a democratização dos meios de transportes nos permitem contemplar o mundo holisticamente.

As culturas tendem mais e mais a “se universalizarem”. O saber transforma-se em universal, a internet, os TICs universalizam a cultura, impondo as fronteiras e restabelecendo as ordens políticas quando elas são ameaçadas.

Bibliografia:

  1. Cristina ALLEMAN-GHIONDA (1999) – Educação e Diversidade Sócio Cultural.p. 11 Editora HARMATTAN.
  2. Michel PAGÉ ( 1993 ) – Correntes de Ideias na Educação de Clientelas, Escolares e Multiétnicas. Editora Quebec
  3. Georgina LYN CRISTINE/ Terezinha CANDIEIRO ( 2005) - Formação de Educadores- São Paulo – BRESIL.

José Ricardo Nascimento é professor e coordenador do PEPE na África do Oeste. Missionário da Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira no Senegal