Educação Inclusiva: uma Realidade no PEPE Moçambique
18 July 2008

A proposta de inclusão como uma oportunidade para as crianças moçambicanas, surgiu com o objectivo de oportunizar o desenvolvimento intelectual, afectivo e físico das crianças, independente da sua condição física, sensorial, cognitiva ou emocional. Reconhecemos que toda criança, tem necessidade e possibilidade de conviver, interagir, aprender, compartilhar e ser feliz.

O primeiro desafio foi desenvolver um trabalho de conscientização aos missionários educadores, sobre a necessidade de adoptar como compromisso, o respeito à diversidade e diferenças individuais, reconhecendo que, mesmo que sejam necessários caminhos diferentes para a efectivação da aprendizagem, todas as crianças devem ser vistas como pessoas com possibilidades e dificuldades que podem ser superadas ou minimizadas.

Este grande desafio, foi reforçado, através da visita do Pr. Adoniram Melo, responsável pelo Ministério de Especial da PIB de Curitiba, o qual ministrou um curso de libras, com 20 horas, despertando assim, a visão dos missionários educadores para a implementação da inclusão de crianças especiais no PEPE.

Dentre os participantes do curso, Deus levantou um missionário educador. Irmão António Daniel, o qual já havia feito o curso de libras e actua como tradutor de libras nos cultos da Igreja Batista da Munhava no qual é membro. Durante as férias lectivas do PEPE, o missionário Educador, visitou as casas da comunidade, tentando encontrar crianças com deficiências especiais, porém, não conseguiu encontrar nenhuma crianças. Não é porque não havia crianças, mas, porque os pais que possuem filhos com qualquer deficiência (visual, auditiva, mental, física ) sentem-se grandemente envergonhados e mantém as crianças escondidas na casa.

Há uma crença popular de que estas crianças foram enfeitiçadas ainda no ventre da mãe, ou então, os pais são criticados, como pessoas que iniciaram algum ritual de feitiçaria e não cumpriram toda a exigência. Acredita-se que, quando não se cumpre o pacto, normalmente o mal se volta contra o filho que está para vir. Diante dessas crenças, os pais se sentem envergonhados e tentam esconder o máximo possível o filho.

Porém, para a glória de Deus, uma criança foi identificada. Egberto. Com 4 anos de idade, deficiente auditivo e físico. No início os pais resistiram e não queriam deixar, porém, perceberam que o filho seria tratado de igual modo como as demais crianças, após relutarem um pouco, aceitaram enviar o filho ao PEPE. Não demorou muito e outros pais, decidiram permitir que seus filhos fossem matriculados no PEPE. Actualmente, o PEPE “FLORES DE JESUS”, conta com três alunos especiais: Egbberto, (deficiente auditivo e coxo); Cleonice (Síndrome de Dawn) e Caetano (mudo, com problemas de articulações na pernas). Todas estas crianças tem 4 anos.

No início as crianças sentiram-se incomodadas com a presença dos “diferentes”. Não estavam acostumadas a compartilhar com alguém que não era igual a elas. Com sabedoria, o Missionário educador interviu, despertando a amizade e amabilidade entre elas. Actualmente, é notório a grande aproximação entre todas as crianças da turma. Gestos de carinhos, como beijos, abraços, lanche,etc, são compartilhados entre elas.

Através desta nova experiência, vemos que a interacção acontece de forma produtiva para todos. As crianças com deficiência desenvolvem seus conhecimentos e aquelas que não possuem deficiência, além de entrar em contacto com novas experiências (como a língua de sinais), familiarizam-se e aprendem a respeitar as diferenças

Os familiares das crianças especiais, que pensavam que seus filhos não tinham valor na sociedade, tem reagido com euforia e gratidão diante do que tem acontecido com seus filhos. “vemos a alegria flutuar no rosto do nosso filho”. “ Graças a Deus, a escolinha da igreja, recebeu nosso filho”

Na comunidade, a igreja tem sido foco de comentários da comunidade como por exemplo: "Esta igreja se preocupa mesmo com as pessoas, até com aqueles que ninguém quer por perto" ou " Na escolinha da igreja, todos são tratados iguais".

Para quem se preocupa com números, parece muito pouco, mas, quando nós olhamos para a palavra que diz, que, uma alma vale mais do que todo o mundo, então nos alegramos pelo privilégio de começarmos com uma única unidade e cremos que através deste trabalho, outros pais terão a coragem de deixar seus filhos participarem no PEPE e outros missionários educadores serão despertados e poderão desenvolver um ministério educacional de inclusão em suas igrejas.

Louvamos ao nosso Pai, que tem levantado parceiros. Primeiramente nos trouxe o Pr. Adoniram da PIB de Curitiba, que muito nos auxiliou na implementação da visão e também depertou a Igreja Batista Memorial de Jundiaí, para apoiar o ministério PEPE- Moçambique..

Reconhecemos que a simples aceitação das crianças especiais no PEPE, não garante uma inclusão educacional efectiva, por isso, necessitamos das orações e apoio dos irmãos, para que o Senhor nos dê oportunidade para que possamos aprender e adaptar-nos à esta nova realidade e apoiar estas crianças.

Naquele que é nossa Eterna Esperança,

Pr. António, Sirley e Débora